terça-feira, 2 de agosto de 2011

Infidelius - Capitulo 10 (parte 5)




"Só temos um quadro, onde pintamos o nosso caminho...
Podemos misturar as cores, o purpura das paixões,
o celeste dos sonhos, o cobre do nosso chão...
Ou então fazer um abstracto cheio de amarelos e roxos
que nos surpreendam de aventuras..." - Inês Dunas
Óleo sobre tela, pastel sobre papel...
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/01/oleo-sobre-tela-pastel-sobre-papel.html

Quando o ponteiro grande do relógio da sala estacou no V, Sofia atirou um sorriso apreensivo pela janela, à medida que o sol se escondia e deu os ultimos retoques na preparação da sua mochila.
Nunca percebera porque escolhera levar a mochila,mas quando estava nervosa ou ansiosa com alguma saída, optava sempre pela mochila. No fundo até tinha uma certa lógica, pois para a finalidade a que a mochila se destinava era obviamente a escolha perfeita, batendo em muitos pontos a utilidade da carteira.
Ora se o seu objectivo era precisamente entrar clandestinamente no seu local de trabalho,invadir o escritório do seu superior e por fim, aceder sem autorização à base de dados do seu computador, certamente teria que ter o cuidado em não deixar pistas. Assim sendo, a mochila era um reservatóro natural, para todos os objectos que ela pudesse usar e não os pudesse abandonar.
É que a adrenalina causa distrações e as distrações causam erros e os erros, quando sucedem, não podem ser de pronto remediados.
Mesmo a roupa que escolhera, tinha sido cuidadosamente pensada e após alumas horas de indecisões, optou pela ganga e uma camisa e camisola, esta ultima em tons cinzentos escuros. Passaria decerto despercebida e no fundo, pensou, parecia mesmo uma normal funcionária aplicada que resolvera dar um salto ao trabalho.
Daria a ultima medicação da tarde à mãe e dar-lhe-ia uma refeição ligeira, só para ter a certeza que ela se aguentava até ela voltar.. Pelas suas contas teria umas boas três horas para cumprir o plano e regressar. Chegaria perfeitamente,concluiu confiante.
Depois de tratar da mãe, passou rápidamente uma escova pelo cabelo, vaporizou com o frasco redondo de Chanel "Chance Eau Fraîche", o seu perfume favorito e galgou o pequeno corredor, entrando na sala e beijando a testa enrugada da sua mãe:
-Correram bem as aulas ,Sofia?
-Sim, mãe. Correram!
-E como está a professora Lurdes?
Ela contemplou o olhar interrogativo da mãe e por uns segundos apeteceu-lhe gritar pela enéssima vez: "A professora Lurdes já está reformada há cinco anos mamã! Eu já não estou na escola, eu já cresci, eu agora trabalho para um nojento que me violou há dois dias.", ao invés calou-se e sorrindo timidamente, num esgar labial cheio de dôr e impotência, afagou-lhe a face :
-Mamã, agora vou estudar um pouco, volto depois, está bem?
-Oh sim filha. Tens mesmo de estudar muito. Um dia serás professora como a Dona Lurdes e serás bem...
Sofia voltou-e abruptamente as costas, escondendo umas lágrimas que surgiam inundando a sua irís e dirigiu-se para a porta da rua.
Professora? Nem morta! pensou cabisbaixa.
Num roda rápido da maçaneta abriu a porta da rua e subitamente ficou sem voz.
Na sua frente, especado sob o tapete " Bem Vindo" , Nicolas segurava dócilmente um Bouquet de rosas vermelhas e parecia ter estado ali o dia inteiro, esperando que ela um dia abrisse a porta:
-Boa tarde Miss Sofia! Venho incomodar?
As fontes começaram a latejar-lhe fortemente, e os olhar principiou a ficar turvo de raiva. Só lhe apetecia esbofetear o seu visitante e dificilmente se conseguia controlar:
-Veio continuar o serviço ou assegurar-se que permaneço viva?
-Vim pedir desculpa, se ainda possuir crédito junto de si!
O olhar dele estava diferente, desolado, sem vida. Não era o mesmo Nicolas de olhar de furia e altivo. Não parecia nada ser o mesmo homem que a violara friamente no seu gabinete:
-Desculpe, mas estava de saída! - Atirou sem convicção.
-Não lhe roubo muito tempo, prometo!
Apesar de estar preparada para uma encenação do genero, deteve-se perante o ramo de flores e concluiu:
-Não só é o primeiro a me ter como o unico que ate agora me ofereceu flores. Talvez fosse assim a ordem das coisas. Hoje em dia, era preciso ser-se violada para receber flore.
Encolheuos ombros e afastou-se dando-lhe espaço para ele entrar.
Observou atentamente os passos dispersos dele, o seu olhar cabisbaixo e os ombros descidos. Ae era teatro, ra um bom teatro. Conduziu-o á cozinha com a promessa de um chá e ficou a vêlo sentar-se pesarosamente. Era como se ele tivesse rapidamente envelhecido uns dez anos:
-Como pode ter a lata de vir aqui? - Perguntou à queima-roupa.
-Tinha de vir. Acredite que meditei bastante, mas tinha de o fazêr!
-Porquê?
Acenou negativamente a cabeça, esticando pesadamente a ponta do pé,e num tom de voz intermitente elucidou:
-Essa foi uma questão que me coloquei toda esta tarde e a resposta é simples.Não tinha mais ninguem a quem recorrer.
-Merda, vocês os homens são todos iguais! Fodem-nos por fuder e depois só se lembram de nós, quando mais ninguem os está para escutar! - Explodiu ela.
-Tens razão....Foi má ideia, desculpa! - Desabafou levantando-se.
-Senta-te....Merda Nicolas, bastava teres-me pedido para fazer amôr!
-Desculpa?
-Bastava teres-me pedido. Não era preciso tudo aquilo!
-Por vezes pedir é mais dificil.
-Tretas.
Ela serviu duas chávenas de café puro e sentou-se diante dele:
-Conta!
-Bem, não é facil. Sabes, creio ter cometido alguns erros e de momento sinto que não sei como o remediar.
Ela arqueou as sobrancelhas, com duvidas se ele se referia ainda à violação:
-Depois sempre achei que tinha tudo sobre controle e apareceu aquele fedelho a meter o nariz...
-Fedelho?
-Ahhh...Oui um desgraçado das finanças com a mania que é esperto.
Nicolas teria de medir o que dizia, a ideia não era confessar nada, apenas dar Elan e sem pretender ia descarrilando:
-Mas ela é minha e ele não pode...Quer dizer, não devia...Não, não pode...
-Meu Deus, estás bebado não estás? - Perguntou de subito aterrada.
Ele não respondeu, limitando-se a sorvêr o café em pequenos tragos:
-Ok, acabou-se. Sei o que estás a precisar!
-Vais me pôr na rua?
-Não, no banho. Tás a precisar de um descansso. Anda!
A ironia do destino é avassaladora e por vezes revela-se nos picos de loucura de uma relação. Sofia que horas antes se empenhava em destruir Nicolas, agora guiava-o até ao W.C., onde o despia vagarosamente, o ensaboava, sorria com ele e acima de tudopartilhava carícias
Qual o fascinínio deste homem, que simplesmente não pode ser odiado por alguem? - Pensou ela, enquanto o acariciava repetidamente, entre suspiros e ´beijos humidos.
E secretamente Nicolas sorria. Dera a volta ao marcador do jogo , e reduzia para ´já a diferença em relação aos seus problemas.
Um já estava resolvido, faltavam dois!
Num sorriso de volupia, tomou-a no chão do quarto de banho, sem se importar com os gemidos, afinal eram gritos de vitória antecipdada .
Para Sofia tudo era mais ambíguo, tinha o homem da sua vida dentro dela, mas sabia que não era seu...totalemente. O qua não me mata, deixa-me mais forte, sentenciou gemendo.


2 comentários:

  1. Um conto que atentamente tenho seguido ....um dos teus melhores!
    Continua :)

    um beijo desta tua fã!

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